Calendário de Defesas

MESTRADO

Igor Nazareno da Conceição Corrêa

Título: 
A CIÊNCIA DA FLORESTA: A INSTITUCIONALIZAÇÃO DAS CIÊNCIAS NATURAIS NO ESTADO DO PARÁ (1894-1907)

Resumo: 
O processo de institucionalização das ciências envolve um conjunto de práticas de variadas naturezas. Entre essas práticas está o da comunicação entre os pares. A ciência que é uma prática coletiva necessita de instrumentos de comunicação para que seja estabelecida e legitimada dentro da comunidade científica. Essa comunicação utiliza recursos próprios como o “periodismo científico”. Além disso, o periodismo científico pode atuar como um meio para que o mundo esotérico da ciência torne-se exotérico, ampliando seu raio de alcance e chegando ao público leigo. Diante desses fatos a análise da institucionalização científica a partir do periodismo científico, pode ser uma importante ferramenta para que possamos compreender os caminhos que uma ciência leva para se institucionalizar. Um periódico reflete as práticas científicas que são desenvolvidas pela sua instituição representante e, pode demonstrar as relações com meios não científicos. Por estes motivos os estudos em divulgação científica têm grande importância para se entender a consolidação da ciência. O presente trabalho discute o processo de institucionalização das ciências naturais no Estado do Pará entre os anos de 1894 e 1907, a partir do Boletim do Museu Paraense que era o periódico científico publicado pelo Museu Paraense de História Natural e Etnografia. O recorte temporal abordado compreende o período em que o zoólogo suíço Emilio Goeldi esteve na direção do Museu Paraense. Durante este período o Museu Paraense vivenciou um amplo desenvolvimento estabelecendo uma extensa conexão com instituições estrangeiras. Esta conexão teve como um dos principais instrumentos, o Boletim do Museu Paraense. Este fato foi de fundamental importância para que as ciências naturais fossem institucionalizadas no Pará

Palavras-chave: institucionalização científica, Museu Paraense, periódicos, divulgação.

Orientadora: Profa. Dra. Lorelai Brilhante Kury (PPGHCS/COC/FIOCRUZ) 

25 de julho de 2017, às 09:00hs.
Local: Prédio da Expansão, sala 401.


MESTRADO

Ana Carolina da Cunha Borges Antão

Título: 
“Gênero, Imigração e Política: O caso da Judia Comunista Genny Gleizer no Governo Vargas (1932-1935)

Resumo: Essa dissertação tem por objetivo analisar a trajetória da jovem imigrante judia Genny Gleizer, expulsa do Brasil acusada de ser comunista em 1935. A partir de uma análise que aborde os significados e as implicações do ser mulher, imigrante, operária e judia nos anos 1930, busca-se compreender como esses fatores importaram na sua trajetória pelo Brasil e como seu caso permite uma visão mais ampla sobre período, em que o país se encontrava sob o governo constitucional de Getúlio Vargas e vivenciava uma crescente efervescência política. O recorte temporal, que abarca desde o momento da chegada de Genny até a sua expulsão, engloba o momento de construção da Constituição Federal, do aparelhamento e especialização policial e de embates políticos diretos, tanto na Câmara dos Deputados, como nas ruas, com o desenvolvimento de movimentos de massa que abarcaram as classes médias urbanas. Pensar o caso de Genny e as razões que levaram a ter uma grande repercussão possibilita um olhar sobre o período compreendido entre os anos 1932 e 1935 no que se referem às dinâmicas do governo Vargas, principalmente àquelas concernentes à política imigratória e à repressão política, identificando também como as hierarquias de gênero incidiram sobre a sua trajetória. O caso de Genny Gleizer permite uma leitura acerca do que significava ser mulher, imigrante e judia dentro das concepções de nação existentes, deixando entrever dinâmicas nem sempre evidentes quando se olha para os grandes processos.

Orientador: Prof. Dr. Marcos Chor Maio (PPGHCS/COC/FIOCRUZ) 

26 de julho de 2017, às 10:00hs.
Local: Prédio da Expansão, sala 401.


MESTRADO

Thayane Lopes Oliveira

Título: “Você finge não ver e isso dá câncer”: controle do câncer de mama no Ceará, 1960-1980

Resumo: 
Esta dissertação analisa a construção do câncer de mama como um problema de saúde pública no Ceará entre as décadas de 1960 e 1980. Nosso objetivo é discutir como as estatísticas oriundas do Registro de Câncer do Ceará atestaram o crescimento da incidência do câncer de mama em contraposição aos índices do câncer de colo do útero. A construção do cenário epidemiológico se deu a partir da oposição entre a caracterização de câncer da modernidade e do desenvolvimento (câncer de mama) e câncer da pobreza e do subdesenvolvimento (câncer de colo do útero). Diante do crescimento da incidência do câncer de mama, médicos e gestores dos serviços de câncer articularam ações de controle baseadas na noção de diagnóstico precoce. Os médicos cearenses falaram para e sobre as mulheres. O discurso do controle pautou principalmente a responsabilização das mulheres sob o cuidado de si em dois sentidos: a prática rotineira do autoexame das mamas e a busca imediata por atendimento médico nos casos de sinais ou sintomas estranhos. O sucesso do tratamento, as chances de cura e a diminuição da mortalidade foi diretamente relacionada à vigilância feminina sobre a própria saúde. Nossa discussão foi realizada a partir de publicações epidemiológicas sobre o câncer no Ceará, revistas médicas, artigos científicos e os jornais O Povo e Diário do Nordeste.

Palavras-chave: câncer de mama – diagnóstico precoce – controle – Ceará.

Orientador: Prof. Dr. Luiz Antonio Teixeira (PPGHCS/COC/FIOCRUZ) 

31 de julho de 2017, às 14:00hs.
Local: Prédio da Expansão, sala 402.


MESTRADO

Júlia Lima Gorges Brandão

Título: Conservacionismo, ciência e turismo: A experiência do Parque Nacional de Itatiaia (1943-1957)

Resumo: Este trabalho possui o objetivo de analisar uma das mais expressivas realizações do conservacionismo brasileiro: os anos iniciais de funcionamento da primeira unidade de conservação do país – o Parque Nacional de Itatiaia (PNI), criado em 1937. A fundação desta instituição não se caracterizou como uma medida isolada. A implementação de parques nacionais, fenômeno observado não só no Brasil, mas em diversos outros países, fez parte de ações baseadas em ideias conservacionistas, que circulavam internacionalmente, e eram consideradas contrapartidas à degradação da natureza promovida pela política característica dos países industrializados a partir do século XIX. Essa circulação de ideias se refletiu na ação de intelectuais brasileiros: alguns, receosos do esgotamento de matérias primas, buscavam uma maior racionalidade na sua extração, que seriam essenciais para o desenvolvimento do país. Outros, sobretudo cientistas, defendiam a defesa do patrimônio natural do Brasil para estudos científicos futuros. Os diferentes discursos em torno da proteção à natureza coincidiram com ideias nacionalistas, postas em prática a partir do governo de Getúlio Vargas (1930-1945), quando medidas de proteção à natureza foram implementadas pelo Estado. Procura-se entender quais atores estiveram envolvidos na proposição, fundação e funcionamento inicial do PNI. Além disto, buscamos demonstrar como conservação da natureza, pesquisas científicas e turismo foram promovidos concomitantemente e tidos como as principais atividades a serem desempenhadas pela instituição. A partir da criação do PNI, teve início o turismo na natureza no Brasil. Fontes diversas, como relatórios administrativos e técnico-científicos, correspondências, obras científicas e matérias de jornais do período, foram analisados nos anos de 1943 a 1957, referentes à administração do agrônomo Wanderbilt Duarte de Barros (1916-1997), quando o perfil institucional, que vigora até os dias de hoje, foi definido.

Orientadora: Profa. Dra. Dominichi Miranda de Sá (PPGHCS/COC/FIOCRUZ) 

31 de julho de 2017, às 13:30hs.
Local: Prédio da Expansão, sala 401. 


DOUTORADO

Ingrid Fonseca Casazza

Título: Proteção do Patrimônio Natural Brasileiro: ciência, política e conservacionismo na trajetória do botânico Paulo Campos Porto (1914-1961)

Resumo: O objetivo desta tese é analisar a trajetória profissional do botânico Paulo Campos Porto para compreender a política de gestão da natureza brasileira implementada pelo governo de Getúlio Vargas nas décadas de 1930 e 1940. Essa política fazia parte do projeto desenvolvimentista varguista e contou com ampla participação de técnicos e cientistas que trabalhavam em instituições científicas federais e/ou detinham cargos na burocracia estatal em seu processo de elaboração e implementação. Em sua vida pública, Campos Porto ocupou uma série de funções voltadas à produção do conhecimento sobre a flora nacional e à proteção do mundo natural. Durante a Era Vargas circulou por instituições que participavam do projeto político de gestão da natureza: Ministério da Agricultura, Instituto de Biologia Vegetal, Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Parque Nacional de Itatiaia, Conselho de Fiscalização das Expedições Artísticas e Científicas no Brasil e Secretaria de Agricultura do Estado da Bahia. A política varguista de gestão da natureza foi de inspiração conservacionista e nacionalista e teve duas frentes de ação: planos de ocupação do território e legislação protecionista de uso dos recursos naturais. A inclusão da natureza no aparato legal do patrimônio nacional decorre dessa política e do seu entendimento como um bem público fundamental para os planos de desenvolvimento. As principais fontes documentais utilizadas na elaboração desta tese foram a legislação referente à natureza durante a década de 30, Constituições Federais de 1934 e 1937, Diário Oficial da União, Relatórios do Ministério da Agricultura, Anais da Primeira Reunião Sul-Americana de Botânica e Relatório da Primeira Conferência de Proteção à Natureza, Diário Oficial do Estado da Bahia, Jornais, Documentação da Secretaria de Agricultura, Comércio e Indústria da Bahia, Atas das reuniões do Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), Atas das reuniões do Conselho de Fiscalização das Expedições Artísticas e Científicas no Brasil, periódicos (Rodriguésia, Arquivos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Arquivos do Instituto de Biologia Vegetal e Boletim do Ministério da Agricultura) e os artigos científicos de Paulo Campos Porto.

Palavras-chave: Paulo Campos Porto; patrimônio natural; conservacionismo; Jardim Botânico do Rio de Janeiro; Conselho de Fiscalização das Expedições Artísticas e Científicas no Brasil; parques nacionais.

Orientadora: Profa. Dra. Dominichi Miranda de Sá (PPGHCS/COC/FIOCRUZ) 

07 de agosto de 2017, às 10:00hs.
Local: Prédio da Expansão, sala 600. 

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