Projetos de Pesquisa - História das Políticas, Instituições e Profissões em Saúde

Cartografias do rural no pensamento social brasileiro
Início: 2012
Resumo: Entre as décadas de 1920 e 1940 foram publicados alguns dos mais instigantes estudos sobre a formação da sociedade brasileira, comumente chamados ensaios de interpretação do Brasil e que têm servido de base ao desenvolvimento do pensamento social brasileiro como área interdisciplinar de ensino e pesquisa. Neles poucos processos parecem mais recursivos do que o da urbanização da sociedade brasileira que, paradoxalmente, os levam a voltar às nossas raízes rurais, desde a colônia. Como se estas raízes constituíssem recurso heurístico para a reflexão sobre o sentido que o processo de urbanização e industrialização que, então, se começava a viver poderia vir a assumir entre nós. Indagar-se sobre as raízes rurais da sociedade brasileira em meio ao processo de transição ao urbano que começava a despontar, porém, significava lembrar que as inovações associadas à modernização capitalista, e aos anseios mais difusos de progresso material e cultural do período, não se realizariam num vazio de relações sociais. Este projeto propõe investigar as dimensões heurísticas do rural no pensamento social brasileiro. A partir da qualificação desse campo problemático tornar-se-á possível: (1) rever sob novos ângulos interpretações clássicas da formação da sociedade brasileira; (2) problematizar as relações, recepções e traduções dessas interpretações em diferentes âmbitos intelectuais, notadamente os das ciências sociais institucionalizadas, medicina tropical, engenharia e outros em diferentes momentos do século XX; (3) repensar a dimensão reflexiva das interpretações do Brasil com diferentes formas de sentir e pensar o país, e de nele atuar. Ademais, esperamos que a composição desse novo campo problemático permita; (4) contribuir ainda para a renovação e consolidação de uma área cujo desenvolvimento e prática nas ciências sociais contemporâneas tem se mostrado dos mais importantes. 
Equipe:
Docentes: Nísia Trindade Lima (coordenadora); Gilberto Hochman; Marcos Chor Maio
Discentes: Tamara Rangel Vieira
Participantes externos: André Pereira Botelho; João Marcelo Ehlert Maia; Antonio Herculano Lopes; Antonio Brasil Jr.; Carolina Arouca; Lucas Correa Carvalho; Maurício Hoelz Veiga Junior; Paloma Coelho Malagutti; Pedro Faria Cazes; Larissa Velasquez de Souza (bolsista de iniciação científica);
Financiamento: CAPES – DS, FAPERJ 

História da educação sanitária no Brasil
Início
: 2012
Resumo: Este projeto assume como objeto de investigação as práticas educativas encaminhadas pelos serviços federais de saúde no Brasil, ao longo do século XX, com destaque para as produções institucionais de divulgação científica direcionadas para o corpo técnico e para a população em geral. Abrange, ainda, a história das instituições e serviços que associaram práticas de assistência médica a ações de educação sanitária. Um dos focos do projeto são as transformações ocorridas na saúde pública federal (em especial no que diz respeito às ações de educação sanitária) a partir do governo Vargas, derivadas da criação, no âmbito do Ministério da Educação e Saúde, dos Serviços Nacionais (destinados ao combate a doenças e temas específicos da agenda sanitária) e da rede de atendimento instituída tanto nos órgãos da saúde pública quanto na esfera da previdência social. 
Equipe:
Docente: Tania Maria Dias Fernandes (coordenadora).
Discentes: Érica Mello de Souza; Palmira Margarida R. da Costa Ribeiro; Naiara Prato Cardoso.
Participantes externos: Otto Santos de Azevedo (bolsista de iniciação científica).
Financiamento: Fiocruz 

O rural e o urbano no pensamento social brasileiro: recursos didáticos e Biblioteca Virtual do Pensamento Social (BVPS)
Início: 2012
Resumo: O presente projeto visa desenvolver pioneiramente material didático para atividades de ensino e/ou pesquisa a partir da área de pensamento social brasileiro como parte de projetos mais amplos em curso: (1) avaliação sistemática dessa área de pesquisa a partir de um eixo cognitivo central, o da relação rural/urbano na história e na sociedade brasileira; e (2) constituição de uma Biblioteca Virtual do Pensamento Social, para o que reúne pesquisadores de diferentes instituições de ensino e pesquisa do Rio de Janeiro, e, como associados, de outros estados da federação. A escolha de elaboração de material didático através do eixo rural/urbano no Brasil não foi fortuita. Além de sua centralidade no Pensamento social, leva em conta o fato de as novas diretrizes curriculares (Resolução CNE/CEB no 2, de 30 de janeiro de 2012) prescrevem a análise e reflexão crítica da realidade brasileira, de sua organização social e produtiva na relação de complementaridade entre espaços urbano e rural como um das diretrizes do plano pedagógico das escolas. Além disto, ainda se ressente a escassez de materiais didáticos específicos que contemplem a necessidade do Pensamento Social em sala de aula. Dizemos necessidade porque, de acordo com o último PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) de 2012, o recurso aos autores brasileiros “clássicos” e contemporâneos deve fazer parte dos conteúdos ensinados. Neste sentido, o conhecimento a ser produzido será flexível o suficiente para ser apropriado por diferentes disciplinas escolares – como sociologia, história, geografia e artes, por exemplo. Ainda, na medida em que o conteúdo gerado estará diretamente conectado aos recursos a serem disponibilizados na BVPS, o material didático poderá ser complementado a todo momento por documentos mais específicos que dêem conta dos aprofundamentos necessários à prática docente ou às pesquisas dos alunos.
Equipe:
Docentes: Nísia Trindade Lima; Marcos Chor Maio; Gilberto Hochman.
Participantes externos: André Pereira Botelho (coordenador); Paula Xavier dos Santos; Antonio Herculano Lopes; João Marcelo Ehlert Maia; Antonio da Silveira Brasil Junior; Simone Meucci; Angela Alonso; Carolina Arouca.
Financiamento: FAPERJ 

Doenças e práticas de cura entre escravos e forros no Rio de Janeiro e em Salvador, século XIX
Início: 2011
Resumo: A pesquisa sobre saúde dos escravos no Brasil procura compreender a constituição de um conhecimento médico voltado para a saúde escrava e a organização de assistência aos escravos e forros, assim como as práticas de cura exercidas por este grupo. Para tanto, focamos a investigação no contexto das cidades do Rio de Janeiro e de Salvador – principais portos da entrada de africanos escravizados para as demais regiões do Brasil e importantes núcleos de escravidão urbana. Também aprofundamos a análise no período da eclosão das epidemias de febre amarela e de cólera em meados do século XIX, momentos em que as tensões sociais são exacerbadas, os discursos tornam-se mais explícitos e as autoridades públicas são pressionadas a se posicionarem. As fontes utilizadas são: teses médicas, periódicos médicos, inventários post-mortem, Almanak Laemmert, relatórios do governo e dos hospitais da Santa Casa da administrada pela irmandade da Misericórdia em cada cidade. Além disso, estamos elaborando um banco de dados que permitirá a análiose quantitativa acerca das pessoas atingidas pela cólera-morbus durante a epidemia de 1855-56
Equipe: 
Docentes: Tania Salgado Pimenta (coordenadora).
Discentes: Rodrigo Aragão Dantas.
Participantes externos: Kaori Kodama; Flávio dos Santos Gomes.
Financiamento: Capes – DS, FAPERJ 

Saúde pública, política brasileira e agendas internacionais no século XX
Início: 2011
Resumo: O objeto geral do projeto são as políticas governamentais de saúde alimentação, saneamento e assistência médico-social, suas instituições e atores, as idéias e os interesses envolvidos e as ações e práticas implementadas nestas áreas no Brasil do século XX. Busca-se analisá-las e compará-las em contextos políticos diversos, em particular no que se refere ao regime autoritário do Estado Novo e a experiência democrática de 1945 a 1964. Outra dimensão importante é a da relação e a interface entre as políticas nacionais de saúde e as agendas e problemas internacionais marcantes neste período, como fluxos migratórios e comerciais, a II Guerra Mundial, a Guerra Fria e a descolonização, a atuação de organismos bilaterais e multilaterais e as políticas internacionais de modernização, industrialização e de desenvolvimento. Para além das reconhecidas continuidades das políticas de saúde, alimentação, saneamento e assistência médico-social ao longo da chamada Era Vargas, a pesquisa pretende discutir as mudanças na saúde pública derivadas do ambiente internacional durante e no pós-II Guerra Mundial e do processo político-social da democratização do Brasil. Além dos atores e instituições enfatizados pela literatura (tais como médicos, profissionais de saúde, associações e periódicos técnico-profissionais, instituições governamentais e internacionais de saúde), o projeto busca também enfatizar atores e instituições (suas idéias, interesses e ações) que, mesmo não percebidos tradicionalmente como parte do setor saúde, foram fundamentais na conformação e na provisão de políticas públicas no período analisado tais como os militares, a igreja católica, os economistas, os partidos políticos, os sindicatos e o empresariado.
Equipe: 
Docentes: Gilberto Hochman (coordenador); Simone Kropf.
Discentes: Érico Silva Alves Muniz; Vitor José da Rocha Monteiro; Mônica de Souza A. da Cruz Caminha; Marcos Jungmann Bhering; Gabriela Alves Miranda; Elizabete Mayumy Kobayashi; Rômulo de Paiva Andrade; André Vasques Vital; Marcela Martins Fogagnoli. 
Financiamento: CNPq (bolsa de produtividade em pesquisa), Fiocruz e Capes-DS, FAPERJ 

Estado e caridade: assistência à saúde (séculos XIX e XX)
Início: 2010
Resumo: A conformação de redes de assistência à saúde no Brasil entre 1850 e 1945 constitui o objeto desse projeto. Os marcos cronológicos se justificam por considerarmos que a eclosão das epidemias de febre amarela (1849) e de cólera (1855) representaram uma inflexão nas ações do Estado referente à saúde pública. Assim como, por identificarmos o primeiro governo de Getúlio Vargas (1930-1945) como um período de implantação de políticas sociais na área de educação, saúde e assistência, o que implicou na redefinição do significado da assistência como política pública e não mais como medidas pontuais efetuadas através de outros agentes sociais. O projeto individual "Estado e Caridade: assistência à saúde (Rio de Janeiro, 1808-1889)", que conta com apoio da FAPERJ, insere-se nessa linha de pesquisa. Este projeto pretende investigar a história da assistência à saúde no Rio de Janeiro entre 1808 e 1889. Para tanto, a pesquisa privilegiará a análise da relação entre o Estado e a administração do hospital da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, estabelecimento mais importante no período, tanto por seu papel fundamental no processo de institucionalização da medicina, quanto por oferecer atendimento caritativo aos doentes entre os quais, escravos e forros - mesmo que não pertencessem à Irmandade.
Equipe:
Docentes: Tânia Salgado Pimenta (coordenadora); Luiz Otávio Ferreira.
Discentes: Ricardo Ribeiro Coelho
Participantes externos: Maria Renilda Nery Barreto; Maria Martha de Luna Freire; Gisele Sanglard; Christiane M. Cruz de Sousa; Marta de Almeida; Jacques Ferreira Pinto (bolsista  de iniciação científica).
Financiamento: CAPES - DS  

Health and Development in Africa and the African Diaspora, Benin, Brazil and the British Caribbean during the 2nd half of the 19th century
Início: 2010
Concluído em 2012
Resumo: O projeto pretende realizar pesquisa comparada sobre a diáspora africana e a saúde de escravos e seus descendentes na segunda metade do século XIX. A pesquisa envolve levantamento de fontes primárias em> arquivos de Benin, Trinidade e Tobago e Brasil. No Brasil, a investigação focará no estudo sobre o contexto da epidemia de cólera> de 1855 e seu impacto na população escrava africana nas cidades do Rio de Janeiro e Salvador 
Equipe: 
Docentes: Tânia Salgado Pimenta (coordenadora).
Participantes externos: Kaori Kodama; Rita Pemberton; Elisée Soumonni.
Financiamento: SEPHIS 

História da favela e da sociologia do Brasil urbano: contribuições ao seu estudo a  partir da trajetória de Anthony Leeds
Início: 2010
Resumo: Este projeto tem por objetivo analisar a trajetória e a obra do antropólogo norte-americano Anthony Leeds (1925-1989), com ênfase nas pesquisas por ele realizadas nas favelas cariocas, durante a década de 1960, e em outros espaços de habitação popular no Brasil e na América Latina. A possibilidade de apresentá-lo decorre da doação do acervo pessoal do antropólogo à Casa de Oswaldo Cruz e sua realização favorecerá aos objetivos dos pesquisadores envolvidos, ao mesmo tempo em que permitirá o amplo acesso a uma valiosa documentação sobre a história urbana e das ciências sociais que se dedicaram a esta temática. O projeto insere-se em linha de pesquisa sobre a produção intelectual voltada para a favela, desenvolvida na Casa de Oswaldo Cruz e no Urbandata/Iuperj, e se propõe a abordar suas relações com a história da sociologia e da antropologia urbanas durante as décadas de 1960 e 1970. Ao mesmo tempo, pretende contribuir para o estudo da história social das favelas do Rio de Janeiro, à luz de perspectiva comparativa no que se refere a outras cidades brasileiras e latino-americanas.
Equipe:
Docentes: Nísia Trindade Lima (coordenadora); Tânia Maria Dias Fernandes.
Discentes: Raquel de Almeida Viana;
Participantes externos: Ana Luce Soares Lima; Licia do Prado Valadares; Luiz Antonio Machado da Silva; Claudia Trindade; Maria da Glória da Silva dos Santos.
Financiamento: Fiocruz  

O controle do câncer no Brasil na segunda metade do século XX
Início: 2010
Resumo: O projeto tem como tema a trajetória do controle do câncer no Brasil, com ênfase nas campanhas de prevenção ao câncer cervical. Os principais objetos de análise são as políticas e instituições públicas relacionadas à doença, a ações de educação em saúde por ela elaboradas e as campanhas de rastreamento de câncer cervical postas em prática a partir da década de 1970. Trabalhamos o período que se estende entre o final da década de 1940 e os primeiros anos do século XXI, momento onde se inicia o processo de construção de uma política nacional voltada para o controle do câncer e surgem as primeiras campanhas de prevenção.
Equipe: 
Docentes: Luiz Antonio Teixeira (coordenador).
Discentes: Rosana Temperine; Vanessa Lana; Tiago Alves Jaques
Participantes externos: Marco Porto; Ilana Lowy; Yolanda Eraso.
Financiamento: CNPq, FAPERJ, Fiocruz, Capes – DS e INCA 

História da institucionalização das ciências biomédicas no Brasil e na América Latina
Início: 2009
Resumo: Tem como objetivo geral analisar a institucionalização das ciências biomédicas no Brasil e na América Latina, no século XIX, tendo como base a análise do processo de criação e consolidação das instituições neste campo de conhecimento. Esta reconstituição realizar-se-á por meio da identificação e anélise dos espaços institucionais (instituições de ensino e de pesquisa, laboratórios, hospitais e órgãos oficiais), dos espaços de representação (associações profissionais, sociedades científicas, periódicos, congressos), da delimitação de suas características, da detecção de sua política institucional e da eleição de seus gestores e atores.
Equipe: 
Docentes: Maria Rachel Fróes da Fonseca (coordenadora); Marcos Cueto.
Discentes: Keith Valeria de Oliveira Barbosa; Elaine Gonçalves da Costa; Regiane Cristina Gouveia.
Participantes externos: Caroline Buiz C. Costas (bolsista de iniciação científica)
Financiamento: Fiocruz, CAPES (bolsa de estágio de pós-doutoramento) 

Os filantropos da nação: ciência, infância e maternidade na construção da assistência no Rio de Janeiro,1899-1947
Início: 2008
Resumo: Este projeto tem como objetivo geral estudar a formação da rede de assistência materno-infantil no Rio de Janeiro, capital da república, nas primeiras décadas do século XX. Para isso analisaremos a trajetória de dois médicos, Moncorvo Filho e Fernandes Figueira, reconhecidos como construtores pioneiros da rede institucional de assistência à maternidade e à infância. Nosso argumento é que esse processo singularizou-se pela combinação de práticas científicas, investimentos públicos e ações filantrópicas. Desse modo propomos o conceito de médico-filantropo para caracterizar a atuação desses profissionais como exemplo de interação da formulação de modelos de políticas públicas, da aplicação de práticas médicas inovadoras e de ações de caráter assistencial filantrópico. O novo valor social atribuído à infância e à maternidade como dimensões essenciais à constituição da nação brasileira contribuiu para que a idéia de proteção e cuidado ganhasse legitimidade entre setores da elite intelectual e política, que passaram a reivindicar atenção específica por parte do Estado ao binômio mãe-filho. Desencadeado em um primeiro momento por médicos e pela filantropia laica e assumido pelas camadas média e alta urbanas, o movimento de proteção visava a conformação de uma rede de assistência focada na construção de instituições hospitalares especializadas em obstetrícia e pediatria e de espaços de educação feminina voltada para o cuidado com a infância. Ainda pouco conhecido pela historiografia, o processo de constituição da rede de proteção e atenção à maternidade e à infância não deve ser entendido de forma isolada. Ao contrário, articulava-se ao projeto mais amplo de assistência social gestado e executado pelas elites republicanas, e que culminou na ação efetiva do Estado como organizador de um programa nacional de assistência cujas características de certa forma remontam aos projetos idealizados pelos médicos-filantropos.   
Equipe: 
Docentes: Luiz Otávio Ferreira (coordenador); Tania Salgado Pimenta; Cristina Maria de Oliveira Fonseca.
Discentes: Agostinho Junior Holanda Coe; Georgina da Silva Gadelha; Renata Batista Brotto.
Participantes externos: Maria Renilda Nery Barreto; Maria Martha de Luna Freire; Gisele Sanglard; Tânia Maria de A Silva
Financiamento: Fiocruz 

 

 

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