Projetos de Pesquisa - História das Ciências Biomédicas

A agenda do desenvolvimento na década de 1950: pensamento social, saúde e dinâmicas regionais
Início: 2012
Resumo: Desenvolvimento, planejamento, mudança provocada ou dirigida e resistências à mudança são termos que formaram o léxico das discussões intelectuais e políticas no Brasil, após a II Guerra Mundial. Projetos para o país, expressão corrente no período, estavam por eles impregnados e eram apresentados por economistas, cientistas sociais, educadores e também por lideranças políticas e intelectuais da área de saúde, com especial destaque para as discussões sobre pobreza e obstáculos ao desenvolvimento. Entre os principais temas, ganharam relevo a aposta otimista na erradicação de doenças transmissíveis e a identificação da fome como um dos males do Brasil. Que relações se estabeleceram entre as ciências sociais e esses novos diagnósticos e projetos para o país? Este projeto tem como objetivo geral analisar os significados atribuídos ao termo desenvolvimento no contexto da década de 1950 e suas implicações para as ideias e ações no campo da saúde, em sua interface com as ciências sociais. Pretende-se aprofundar a análise em torno de duas ordens de problemas: a) as tensões identificadas no processo de desenvolvimento, com ênfase na discussão realizada no âmbito das ciências sociais sobre o que se denominava, à época, resistências culturais à mudança, envolvendo o estudo de contextos rurais e urbanos; b) as relações entre saúde, desenvolvimento e dinâmicas regionais.
Equipe:
Docentes: Nísia Trindade Lima (coordenadora); Gilberto Hochman; Marcos Chor Maio.
Discentes: Tamara Rangel Vieira; Érico Silva Muniz; Nemuel da Silva Oliveira; Goshai Daian Loureiro; Denis Guedes Jogas Junior.
Participantes externos: Júlio Cesar Schweickardt; André Botelho; Maria Teresa Bandeira de Mello; Carolina Arouca; Larissa Velásquez de Souza (bolsista de iniciação científica); Pablo Fuchs Dias (bolsista de iniciação científica);
Financiamento: CNPq (bolsa de produtividade em pesquisa), CAPES – DS, FAPERJ (Cientista do Nosso Estado).

A divulgação científica: sua história e seus públicos
Início: 2012
Resumo: No Brasil, a divulgação científica tem pelo menos dois séculos de história. No entanto, há muitas lacunas na compreensão de que atividades foram realizadas ao longo da história, quais os principais personagens envolvidos e quais as suas motivações. Este projeto visa justamente buscar preencher esta lacuna, bem como entender, por meio de alguns estudos de caso, que sentido as audiências contróem a partir da ciência veiculada por distintos meios de comunicação.
Equipe:
Docentes: Luisa Massarani (coordenadora).
Participantes externos: Luis Henrique Amorim; Marina Ramalho; Luanda Lima; Ildeu Moreira.
Financiamento: CNPq (bolsa de produtividade em pesquisa)

Ciência e medicina nas relações científicas transnacionais
Início: 2011
Resumo: O projeto visa, a partir de uma perspectiva transnacional, estudar as redes de cooperação científica e cultural entre a Europa, Estados Unidos e América Latina no século XX. O objetivo é debater a circulação de saberes e seu impacto para as agendas científicas de personagens e instituições, bem como as decorrências e determinações políticas, culturais e econômicas do movimento de idéias científicas sobre-fronteiras. A abordagem transnacional ultrapassa a visão de centro-periferia, tributária das teorias de dependência, ao demonstrar que o processo de transferência de conhecimento não é unidirecional e nem conseqüência automática de processos cognitivos. Tal perspectiva, que tem ganhado fôlego crescente na historiografia nas duas últimas décadas, permite superar as visões dicotômicas em que os países periféricos seriam meros receptáculos das culturas européia e norte-americana, e leva em conta a multiplicidade de atores, agências internacionais e estratégias políticas que tomaram parte no processo de transferência através do qual circulam pessoas, idéias, projetos, objetos e tecnologias. Abordar o intercâmbio científico a partir das relações transnacionais significa explorar aspectos mais amplos da história social, cultural e científica das formações sociais envolvidas nessa interação e o impacto destas para as mesmas.
Equipe: 
Docentes: Magali Romero Sá (coordenadora); Jaime Larry Benchimol; Cristiana Facchinetti; Dominichi Miranda de Sá; Simone Kropf.
Discentes: Juliana Manzoni Cavalcanti; Pedro Felipe Neves Muñoz; Rachel Motta Cardoso; Letícia Pumar Alves de Souza; Gabriel Anaya;
Participantes externos: Larissa Moreira Viana; Heloisa Maria Bertol Domingues; Giulia Engel Accorsi (bolsista de iniciação científica).
Financiamento: Fiocruz, Capes – DS, Faperj, CNPq

Ciência no Brasil no Pós-II Guerra: políticas, instituições e atores
Início: 2011
Resumo: Esse projeto tem como objetivo investigar a institucionalização da pesquisa científica no Rio de Janeiro e em São Paulo entre 1945-1965, período em que emergiram condições institucionais para o desenvolvimento de um modelo profissional acadêmico no ambiente universitário, formado pelo crescente conjunto de públicas e privadas.
Pretende-se analisar as condições institucionais oferecidas pelas novas universidades, em particular a Universidade do Brasil e a Universidade de São Paulo, para o desenvolvimento de uma cultura acadêmica que passou a orientar a organização da atividade científica, bem como a dinâmica da interação dos cientistas. Dentre os fatores sócio-cognitivos mais relevantes desse processo constam: a mudança do perfil social do público universitário, marcado por um contingente oriundo das camadas médias urbanas , e por um novo agente social, representado pelo contingente feminino da população urbana; a diversificação da oferta de cursos de ciências, principalmente nas faculdades de filosofia, ciências e letras; e o surgimento de novos campos disciplinares, identificados com a chamada revolução  da biologia, marcada pela desmedicalização, que se desenvolveu na Europa e nos Estados no Pós-II Guerra. De um ponto de vista específico, trata-se de situar nesse contexto de mudanças institucionais, cognitivas e sociais duas das principais tradições de pesquisa brasileira: a biologia e a medicina tropical aplicada à resolução dos problemas de saúde pública. A investigação focalizará a Universidade do Brasil, mais especificamente a constituição e o desenvolvimento dos institutos de Biofísica e de Microbiologia, criados a partir de 1945, e o Instituto Oswaldo Cruz, cuja origem remonta ao início do século XX. Em São Paulo, o estudo se deterá na Faculdade de Medicina da USP, em particular o grupo de pesquisa formado nos anos 1950 em torno da liderança do médico e sanitarista Samuel Pessoa.
Equipe: 
Docentes: Nara Azevedo (coordenadora); Luiz Otávio Ferreira.
Discentes: Cristina Acosta Diaz-Granados; Lia Gomes Pinto de Sousa (discente); Nicole Reginé Garcia (discente).
Financiamento: Capes, Fiocruz

História, natureza e ciência (séculos XVIII e XIX)
Início: 2011
Resumo: O projeto aborda as relações da sociedade com a natureza, buscando adequar questões teóricas e metodológicas caras à história das ciências e à história tout court. Trabalhar historicamente o Brasil sob o prisma das relações entre ciência e natureza requer reflexões sobre práticas e conceitos. Não se trata de considerar os pólos dessa relação como estanques, mas de considerar justamente sua interdependência. As práticas científicas tornaram-se cada vez mais presentes na Amárica portuguesa a partir do século XVIII. Com a inflexão de rumo imposta por Pombal e pelos ministros esclarecidos subseqüentes, a expertise científica passa a ser um elemento desejável para os servidores da Coroa. Ao longo do século XIX, há a paulatina construção de um campo científico auto-legitimado. O discurso e os métodos científicos se espraiam pelas diferentes áreas do conhecimento, inclusive pelas áreas tradicionalmente relacionadas às letras, como é o caso da história e dos estudos sobre as sociedades humanas. 
Equipe: 
Docentes: Lorelai Kury (coordenadora); Magali Romero Sá.
Discentes: Ricardo Alexandre S. de Souza; André Luiz L. Nogueira; Ivoneide de França Costa;
Participantes externos: Julio César M. S. Pereira; Sílvio Cezar de S. Lima; José Augusto Pádua.
Financiamento: Capes - DS

Medicina e ciência na história da agenda ambiental brasileira dos séculos XIX e XX: atores, idéias e instituições
Início: 2011
Resumo: A historiografia ambiental brasileira tem primado por análises da produção dos intelectuais dedicados a promover a proteção da natureza do país. Buscando aprofundar esta vertente, por meio, sobretudo, da sua associação com a perspectativa institucional da história das ciências, este projeto visa compreender as formas por meio das quais as trajetórias e as idéias de médicos e cientistas brasileiros foram cruciais para a criação e a consolidação de agendas e instituições que configuraram as primeiras tentativas de regulamentar a exploração dos recursos naturais no Brasil. Por “agenda ambiental” entendemos os movimentos intelectuais e as pesquisas científicas realizadas em favor da promoção de novas relações entre homens e natureza no país, com ênfase tanto nas campanhas públicas de conservação do mundo natural, quanto na criação de legislação florestal, de parques nacionais entendidos como áreas de preservação ambiental e de instituições e espaços de ciência que tiveram o ambiente e a ecologia como novos objetos e focos principais de estudo e atuação. Incluem-se, assim, neste projeto, trabalhos sobre a geração de cientistas brasileiros que ajudou a criar o primeiro código florestal em 1934; sobre a malograda delimitação do Parque Nacional do Acre (1911) e a bem-sucedida criação do Parque Nacional de Itatiaia (1937); sobre as campanhas educativas de cuidado da natureza, como a do “Dia da Árvore”, promovidas por médicos do Instituto Oswaldo Cruz e naturalistas do Museu Nacional por meio da Associação Brasileira de Educação (ABE) nos anos 1920; sobre as trajetórias de Alberto Löfgren (1854-1918) e Paulo Campos Porto (1889-1968), botânicos e importantes “cientistas-ambientalistas” da virada do século XIX para o XX; sobre a Amazônia como objeto de investigação científica, de imaginação e disputa política, a história da exploração e conhecimento de seus recursos naturais e da preservação da sua megabiodiversidade; e sobre a história da construção da ecologia como área de pesquisa no IBGE, com análise da migração do interesse institucional do ‘clima’ para o ‘ambiente’. 
Equipe: 
Docentes: Dominichi Miranda de Sá (coordenadora); Magali Romero Sá.
Discentes: Vanessa Pereira da S. e Mello; Mariana Mello Burlamaqui; Diego Ramon Silva Machado; Érika Marques de Carvalho
Participantes externos: Alda Heizer; Moema de Rezende Vergara; Julia Lima Gomes (bolsista de iniciação científica).
Financiamento: Fiocruz e Capes - DS 

Os usos do darwinismo no Brasil antes e depois da Segunda Guerra Mundial (1919-1969): os casos de Alípio de Miranda Ribeiro, Otávio Domingues e Theodosius Dobzhansky 
Início: 2011
Resumo: O uso do darwinismo no Brasil parece ter mudado profundamente após a Segunda Guerra Mundial. O objetivo desse projeto é investigar como os usos discursivos do darwinismo foram transformados com o advento da genética de populações. Antes da Segunda Guerra o darwinismo foi usado, por exemplo, no Museu Nacional do Rio de Janeiro, por Alípio de Miranda Ribeiro, e no Museu Paulista, por Rudolph Von Lhering, para subdisiar o trabalho naturalista de mapeamento dos recursos naturais do país. Também, em certas escolas de agricultura e pecuária, a importância dada à seleção de indivíduos, animais e vegetais, economicamente mais viáveis, evocava o darwinismo e sua base genética. Mas esses não eram estudos verdadeiramente darwinistas, porque evocavam princípios de uma ou outra forma de herança tênue, como a herança de caracteres adquiridos, o que minimiza ou desqualifica a importância dada por Darwin ao mecanismo de seleção natural. Nesse debate, estão diretamente envolvidos pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), como Octavio Domingues, e vários de seus interlocutores. Todavia, ainda um pouco antes do final da Segunda Grande Guerra, em 1943, o uso que Theodosius Dobzhansky fez do darwinismo, amparado pela Fundação Rockefeller e calcado na genética de populações então nascente, imprimiu uma nova maneira de estudar empiricamente a evolução em terras brasileiras, levando à criação por Antonio Lagden, do Centro de Pesquisas Genéticas (CPGen) da Faculdade Nacional de Filosofia. De particular importância para o projeto é a leitura comparativa dos textos que nos legaram personagens envolvidos nesses episódios, sobretudo, no que diz respeito ao que pensavam sobre a evolução humana, o lugar da nossa espécie entre milhões de outras espécies existentes e a manipulação dos critérios seletivos, com que modelamos a natureza animal e vegetal.
Equipe: 
Docentes: Ricardo Waizbort (coordenador); Magali Romero Sá.
Discente: Miguel Ernesto G. Couceiro de Oliveira. 

Ciência e poder: influências e estratégias de aproximação da Alemanha, França e Estados Unidos com o Brasil entre 1919 e 1945
Início: 2010
Resumo: O projeto pretende trazer à luz o movimento iniciado pelas comunidades médico-científicas alemã, francesa e norte-americana em direção à América Latina e, em especial, ao Brasil, no período compreendido entre o fim das duas Guerras Mundiais. Mais especificamente, busca estabelecer em que medida concretizaram-se os esforços de cooperação científica entre aquelas nações e o Brasil, incluindo o fluxo de ideias, modelos institucionais, agendas comuns de pesquisa e estratégias de ação destinadas a ampliar o campo de influência franco, germânico e norte-americano no país. Através de estudo comparado baseado em documentos inéditos e bibliografia ainda não explorada, o projeto visa produzir resultados originais no contexto das relações científicas internacionais já que propõe analisar: o papel dos principais atores envolvidos na iniciativa; os meios utilizados na veiculação das práticas médicas e biológicas; os intercâmbios mantidos entre os pesquisadores brasileiros e seus pares no exterior; e os modelos institucionais e implicações econômicas associadas a essas ações. 
Equipe: Magali Romero Sá (coordenadora).
Financiamento: CNPq (bolsa de produtividade em pesquisa) 

Compreender Auguste de Saint-Hilaire, viajante e botânico
Início: 2010
Resumo: O projeto pretende analisar e organizar a obra impressa e manuscrita de Saint-Hilaire, em contraponto com suas coleções botânicas, privilegiando o que se relaciona diretamente com sua viagem ao Brasil e com os temas brasileiros. Busca ainda: compreender a especificidade do trabalho científico de Saint-Hilaire, atentando para o tipo de questão que ele mais desenvolve em seus trabalhos, como é o caso da biogeografia e das teorias sobre metamorfose vegetal e sobre a unidade do plano de composição das plantas; verificar como se dava efetivamente seu trabalho de coleta no Brasil, ou seja, como ele utilizava o conhecimento dos habitantes locais ou de empregados, se ele entrou em contato com comerciantes de plantas e sementes, se buscava ajuda de instituições ou dos notáveis locais; estabelecer, na medida do possível, a correspondência ativa e passiva de Saint-Hilaire, tendo em vista uma futura publicação crítica; reconstituir as redes científicas e sociais de Saint-Hilaire na Europa, principalmente na França; reconstituir as redes científicas e sociais de Saint-Hilaire no Brasil; estabelecer a correspondência entre os registros dos diários de viagem e o herbário de Saint-Hilaire, pertencente ao Museu de História de Paris, em vias de digitalização pelo projeto capitaneado no Brasil pelo CRIA; fornecer análise histórica sobre a atividade científica de Saint-Hilaire para as bases de dados on line do CRIA; levantar as fontes manuscritas de Saint-Hilaire ou que se relacionam diretamente com ele, presentes nos principais arquivos franceses, notadamente em Paris, Montpellier e Orléans; levantar as fontes manuscritas de Saint-Hilaire ou que se relacionam diretamente com ele, presentes nos principais arquivos brasileiros.
Equipe: 
Docentes: Lorelai Kury (coordenadora); Maria Rachel Fróes da Fonseca.
Discentes: Carla Oliveira de Lima; Gustavo Oliveira Ferreira; Miriam Elvira Junghans; Marcelly Pedra Rezende da Silva.
Participantes externos: Alda Heizer; Íris Kantor; Neil Safier; Denis Emmanuel Lamy; Nilton de Almeida Araújo; Felipe de Araújo e Silva (bolsista de iniciação científica); Manuela Pereira de Souza Sobral (bolsista de iniciação científica); Aline Cerqueira (bolsista de apoio técnico); Patrícia Mandeira Santana (bolsista de apoio técnico).
Financiamento: Fiocruz, CAPES - DS e CNPq

Fazer ciência no Brasil imperial: Freire Alemão, naturalista e viajante
Início: 2010
Resumo: O projeto apresenta como objetivos: 
- avaliar a centralidade das publicações dos viajantes-naturalistas para o desenvolvimento da botânica (taxonomia e biogeografia) no Brasil.
- verificar o diálogo que Freire Alemão estabeleceu com naturalistas estrangeiros, principalmente Carl von Martius e Auguste de Saint-Hilaire.
- elencar o conjunto de práticas referentes à atividade botânica de Francisco Freire Alemão.
- verificar como Freire Alemão adquiriu as habilidades necessárias à sua atividade científica.
- rastrear a inserção de Freire Alemão na sociedade imperial, tanto nas instituições científicas quanto em outras instâncias de sociabilidade, como o estabelecimento de uma rede de correspondentes e a busca de vínculos pessoais de proteção.
- avaliar a relevância e o papel representado pelo desenho no desempenho científico de Freire Alemão.
- compreender de que maneira Freire Alemão pôde se situar no “espaço público das letras”, no Brasil, do século XIX.
Equipe: Lorelai Kury (coordenadora)
Financiamento: CNPq (bolsa de produtividade em pesquisa) 

O encontro entre antropologia, sociologia e psicologia social na produção intelectual sobre raça e racismo no Brasil (1930-1950)
Início: 2010
Resumo: Este projeto objetiva pesquisar a produção intelectual de cinco cientistas sociais que desenvolveram estudos - na interface entre antropologia, sociologia e psicologia social - sobre os temas raça, relações raciais e racismo no intervalo entre os anos 1930 e 1950. Trata-se do médico-antropólogo Arthur Ramos; do psicólogo social e antropólogo Otto Klineberg; da cientista social e psicanalista Virgínia Leone Bicudo e dos sociólogos Alberto Guerreiro Ramos e Oracy Nogueira. Examinar a literatura sobre raça, relações raciais e racismo a partir dos trabalhos destes cinco cientistas sociais, permite acompanhar os primórdios da institucionalização das ciências sociais no Brasil, quando se observa que as fronteiras disciplinares não eram rígidas. Este cenário não começou a ser desenhado no Brasil. A partir da década de 1920, o Departamento de Antropologia da Universidade de Columbia e o Departamento de Sociologia da Universidade de Chicago realizaram pesquisas inspiradas na interseção entre antropologia, sociologia e psicologia social mediante investigações sobre minorias, estereótipos e preconceitos. Neste sentido, o presente projeto visa investigar a recepção deste conjunto de conhecimentos elaborados em Chicago e Columbia no Brasil, analisando a influência dessa produção acadêmica no processo de criação e legitimação das ciências sociais em solo brasileiro, a exemplo dos cursos criados na Universidade do Distrito Federal, na Faculdade Nacional de Filosofia, na Escola Livre de Sociologia e Política e na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. O projeto também possui como meta analisar o papel do contexto internacional do pós-Segunda Guerra e, em especial, a criação de agências multilaterais como a UNESCO, na definição de uma agenda de pesquisas em que as ciências sociais - incluindo antropologia, sociologia e psicologia social - poderiam contribuir para dar inteligibilidade as razões que levaram ao conflito mundial
Equipe: 
Docentes: Marcos Chor Maio (coordenador).
Discentes: Thiago da Costa Lopes.
Participante externo: Simone Monteiro; Assis da Silva Gonçalves; Mariana Santos Damasco.
Financiamento: CNPq (bolsa de produtividade em pesquisa); Fiocruz. 

Quais estudos de comunidade? Ciências Sociais, mudança social e saúde no Brasil (1940-1960) 
Início: 2010
Resumo: Este projeto tem por objetivo desenvolver novas interpretações sobre o papel da então Escola Livre de Sociologia e Política (ELSP) no âmbito da História das Ciências Sociais mediante a pesquisa da pluralidade de investigações reunidas sob as rubricas: “estudos de comunidade” e “desenvolvimento/organização de comunidade”. Elas permeiam não somente releituras teórico-metodológicas dos trabalhos realizados, mas também fornecem elementos para o entendimento da vida institucional da ELSP e a natureza das parcerias realizadas com instituições nacionais e internacionais que apoiaram as pesquisas. Ademais, a pesquisa sugere diálogos disciplinares cruzados, a exemplo das relações entre antropologia e sociologia. Desse modo, a história da ELSP oferece a possibilidade de novas abordagens das interfaces entre ciências sociais e sociedade, inclusive no plano dos estudos que contemplaram o tema da saúde e, particularmente, as concepções vigentes nas investigações entre 1940 e 1960 acerca das relações entre ciências sociais e mudança social na era do desenvolvimento.
Equipe: 
Docentes: Marcos Chor Maio (coordenador); Nísia Trindade Lima.
Discente: Nemuel da Silva Oliveira.
Financiamento: Capes - DS

Atores, ideias, práticas psiquiátricas e construção social da diferença (Rio de Janeiro, (1903-1970)
Início: 2009
Resumo: Este projeto tem como objetivo analisar os modos pelos quais a psiquiatria, por intermédio de atores sociais, idéias e práticas diversas, esteve presente e atuou na construção social da diferença, no contexto do Rio de Janeiro da primeira metade do século XX. Estou considerando, neste sentido, que a construção social da diferença pela psiquiatria não se faz apenas em relação à nomeação e determinação do estatuto da doença mental, mas também esteve presente no diálogo com outros modos de marcação diferencial dos indivíduos e grupos sociais, como aqueles relacionados a gênero e a status social.
Equipe: 
Docentes: Ana Teresa Venâncio (coordenadora); Flávio Edler; Cristiana Facchinetti.
Discentes: Renata Prudêncio da Silva; Cecília de Menezes S. Cunha; André Luiz de Carvalho Braga; Rafael Dias de Castro; Cleice de Souza Menezes; Priscila Céspede Cupello; Ede Conceição Bispo Cerqueira.
Participantes externos: Julio Adiala; Janis Alessandra Pereira Cassilia; Rafael Campos dos Santos; Cíntia Ferreira (bolsista de iniciação científica); Rodrigo Pereira da Silva (bolsista de iniciação científica).
Financiamento: Fiocruz, Capes – DS, CNPq 

Inventário da natureza do Brasil: as atividades científicas da Comissão Rondon (1907-1930)
Início: 2008
Concluído em 2012
Resumo: Este projeto de pesquisa pretende demonstrar a importância das atividades científicas realizadas pela Comissão de Linhas Telegráficas Estratégicas de Mato Grosso ao Amazonas, mais conhecida como Comissão Rondon (1907-1930), em suas diferentes viagens de exploração. 
A proposta é analisar a relação entre o inventário da natureza do noroeste brasileiro, realizado no âmbito da Comissão Rondon, e os propósitos do regime republicano, por meio do Ministério da Agricultura, de modernização do interior, ocupação, povoamento, diversificação das lavouras e expansão da pecuária, delimitação de fronteiras, terras indígenas e áreas de proteção de floresta. Nossa hipótese é a de que seus membros não estavam encarregados apenas da expansão da rede telegráfica nacional, mas da definição das distintas potencialidades do território da porção norte do país para a discriminação entre áreas de exploração e conservação de recursos naturais e humanos.  
Equipe: 
Docentes: Dominichi Miranda de Sá (coordenadora); Nísia Trindade Lima; Magali Romero Sá.
Discentes: Ingrid Casazza; Vanessa Pereira da Silva e Mello; Maria Gabriela de Almeida Bernardino.
Participantes externos: Moema de Rezende Vergara; Alda Heizer; Sergio Nunes;
Financiamento: Capes – DS, FAPERJ.

Sob o signo do desenvolvimento: ciências sociais, educação sanitária e alimentação (1945-64)
Início: 2008
Concluído em 2012
Resumo: Este projeto tem como objetivo analisar os significados atribuídos ao termo desenvolvimento e suas implicações para as idéias e ações no campo da saúde, em sua interface com as ciências sociais. Pretende-se analisar as propostas de cientistas sociais; as campanhas de erradicação de doenças transmissíveis identificadas com o atraso nacional, caso da bouba e do bócio endêmico; a proposição de um projeto de alimentação nacional e ações de educação sanitária com foco nas populações “resistentes à mudança”, sobretudo as então denominadas comunidades rurais.
Equipe: 
Docentes: Nísia Trindade Lima (coordenadora); Gilberto Hochman; Marcos Chor Maio
Discentes: Maria Letícia Galluzzi Bizzo Marques; Érico da Silva Muniz; Nemuel da Silva Oliveira; Tamara Rangel Vieira
Participantes externos: André Botelho; André Vieira Campos; Maria Teresa Bandeira de Mello; Carolina Arouca G. de Brito; Larissa Velasquez de Souza (bolsista de iniciação científica); Renata Máximo Magalhães (bolsista de iniciação científica).
Financiamento: CNPq (bolsa de produtividade em pesquisa), FAPERJ (Cientistas do Nosso Estado) e Capes – DS 

Demandas globais, respostas locais: o papel das organizações internacionais no desenvolvimento da ciência e da saúde no Brasil
Início: 2005
Concluído em 2012
Resumo: Este projeto tem por objetivo analisar o papel de organizações internacionais no desenvolvimento da ciência e da saúde no Brasil. A pesquisa vem se desenvolvendo em dois planos. O primeiro deles diz respeito à influência da Unesco no processo de institucionalização das ciências no Brasil no Pós-Segunda Guerra, mediante a proposta de criação de uma instituição científica na Amazônia., no contexto do debate acerca das relações entre ciência e desenvolvimento. Discute-se o papel social da ciência na “periferia” e a participação de diversos atores sociais e políticos (comunidade científica, forças armadas, partidos políticos, imprensa, intelectuais) quanto à definição de agendas científicas e de criação de instituições no país. O segundo plano da pesquisa refere-se ao papel de organizações internacionais (Opas, Unesco, OMS, Dfid, Pnud) no fomento a estudos e na formulação e implementação de políticas sociais de recorte racial, especialmente nos campos da educação e da saúde pública no Brasil e na América Latina.  
Equipe: 
Docentes: Marcos Chor Maio (coordenador); Gilberto Hochman.
Discentes: Marcos Jungmann Bhering; Rodrigo César da Silva Magalhães.
Participantes externos: Fernando Pires Alves
Financiamento: Fiocruz e Capes – DS; Comissão Fullbright. 

 

 

 

 

 

map 

Av. Brasil, 4036 - 4º andar - Sala 420 . CEP 21040-361 – Manguinhos Rio de Janeiro – RJ.
Tel.: (+ 55    21) 3882-9093; 3882-9095; 3882-9096 ou 3882-9170 
Tel/Fax: (+ 55 21) 2590-5192
Email: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Todo o conteúdo do Portal COC pode ser copiado, distribuído, exibido e reproduzido livremente, para fins não comerciais, desde que seja citada a fonte. A utilização para fins comerciais está sujeita a uma licença da COC/Fiocruz